quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A empresa e o mercado do pós-crise, ou como aproveitar o momento para mudar o sistema e as relações capital-trabalho pela e para a sociedade

Apesar das declarações de líderes políticos e empresariais comemorando o momento brasileiro “favorável” neste momento de mudanças, especulando quanto ao desfecho desse cataclisma econômico, quando a maior parte dos analistas não sabe nem qual será o cardápio do próximo coffee-break, acredito que tiraríamos melhor proveito se, ao invés de conjecturarmos, concentrarmos nossos esforços em determinar nosso rumo, tentando sim entender o mundo que virá após a temida calmaria que se aproxima.
Estamos lutando para preservar corporações falidas, desprovidas de futuro, como montadoras que normalmente levam dez anos para maturar um projeto a um custo de bilhões de dólares mas que, para receber os recursos públicos que pleiteiam para manter suas pesadas estruturas, prometem alterar o mix e lançar produtos totalmente inovadores em um ou dois anos a frações dos custos habituais.
De nada adianta dar o crédito através de bancos que estão no vermelho (sorverão os recursos que não chegarão a quem precisa) e tampouco exigir que montadoras ociosas não demitam para receber subsídios, pois vai contra a lógica deles e do “mercado”.
A empresa que merece atenção é a que tem condições de crescer nestas condições e nas que estão por vir, portanto gastaríamos melhor o dinheiro se, ao invés de mantermos os empregos, estimulássemos as empresas a demitirem seus funcionários, pagando-lhes os direitos, estimular PDV’s e, definitivamente, reorganizarmos as relações de trabalho. A quem protegemos impedindo que engenheiros da GM utilizem parte de seus recursos rescisórios para formarem uma empresa que prestará serviços à GM, VW e outras empresas, dentro de suas competências? Estimular a terceirização é dar a carta de alforria aos profissionais que engordam as empresas, os bônus dos executivos, e que ficam com a ansiedade à flor da pele em momentos como o atual. Mandam-se os operários embora e mantém-se os diretores que causaram os problemas.
Essas empresas que se formarão terão o que de mais precioso as empresas possuem e desprezam, o capital intelectual. Deixem as máquinas e edifícios com os capitalistas antigos, e vendam o conhecimento que todos precisamos, em estruturas enxutas, com alto potencial de crescimento na prestação de serviços. Não haverá novas pontocom para alavancar as bolsas e as carteiras de especuladores, as empresas do novo milênio serão organizações que nascerão dessa necessidade de redução de custos das atuais grandes corporações, executando tarefas para que essas sobrevivam e estas cresçam, será assim o futuro! Invistamos, pois, nessa reorganização!

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