Há quase um século, pelo menos, que possuir um automóvel faz parte das aspirações materiais de boa parte da humanidade. Um carro traz consigo a liberdade de locomoção, a independência de horários e itinerários fixos e, também, uma certa dose de orgulho e realização pessoais.
Talvez estejamos na hora de rever alguns desses conceitos. Mais importante do que possuir um automóvel é poder fazer uso dele. Que o digam os executivos e outros profissionais que usufruem de veículos pertencentes às suas empresas, como complemento de seus salários. Outra maneira de usar um carro sem comprá-lo é o aluguel, para não falar da mais prosaica, chamar um taxi.
Mas, pouco a pouco, uma nova forma de acesso ao automóvel vem se popularizando na Europa e Estados Unidos. Trata-se do car share, um sistema em que um grupo de pessoas passa a contar com carros para uso eventual, como ir ao supermercado, à academia de ginástica, ao cinema ou ao shopping center.
O sistema funciona assim: os interessados pagam uma pequena taxa mensal para cadastrarem-se e recebem um cartão magnético com um chip eletrônico. Quando precisam de um carro, escolhem o modelo entre os disponíveis e fazem o agendamento por telefone ou pela Internet. Aí, é só dar uma saudável caminhada até o estacionamento do serviço que estiver mais próximo e usar o veículo como se fosse seu pelo período escolhido.
O car share não serve para quem precisa de carro para ir ao trabalho ou o utiliza para viagens. Mas é uma grande solução para quem não precisa de um automóvel todos os dias. Não é preciso ter uma garagem, por exemplo, nem pagar seguro para os 365 dias do ano, nem se preocupar com a manutenção, lavagem, abastecimento ou pagar IPVA. Tudo isto é incluído no preço, tarifado por hora.
O sistema talvez não se adapte de forma geral às nossas grandes cidades, mas pode funcionar bem para determinadas situações. Parece ideal para grandes condomínios ou regiões de grande densidade demográfica. É sob medida para aposentados ou casais em que a esposa não trabalha fora. Em São Paulo, pode ser uma alternativa bem vinda para o dia de rodízio semanal. E cai como uma luva para profissionais que exercem suas atividades em casa.
Nos Estados Unidos, o sistema tem tido muito sucesso também nas universidades, atraindo estudantes que não querem comprar carros velhos nem têm dinheiro para um modelo novo. Há empresas explorando o serviço e ganhando dinheiro e também há sistemas que não visam lucros e funcionam mais ou menos como cooperativas.
Não sei de nenhuma iniciativa desse tipo em andamento no Brasil. Para fazer uma experiência em escala limitada não é preciso um capital gigantesco. Quem sabe não é um bom negócio para começar nesses tempos de crise?
http://autoestrada.uol.com.br/interno.cfm?file=analise&id=35
quarta-feira, 11 de março de 2009
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