quarta-feira, 11 de março de 2009

Artigo de Jorge Meditsch

Há quase um século, pelo menos, que possuir um automóvel faz parte das aspirações materiais de boa parte da humanidade. Um carro traz consigo a liberdade de locomoção, a independência de horários e itinerários fixos e, também, uma certa dose de orgulho e realização pessoais.
Talvez estejamos na hora de rever alguns desses conceitos. Mais importante do que possuir um automóvel é poder fazer uso dele. Que o digam os executivos e outros profissionais que usufruem de veículos pertencentes às suas empresas, como complemento de seus salários. Outra maneira de usar um carro sem comprá-lo é o aluguel, para não falar da mais prosaica, chamar um taxi.

Mas, pouco a pouco, uma nova forma de acesso ao automóvel vem se popularizando na Europa e Estados Unidos. Trata-se do car share, um sistema em que um grupo de pessoas passa a contar com carros para uso eventual, como ir ao supermercado, à academia de ginástica, ao cinema ou ao shopping center.

O sistema funciona assim: os interessados pagam uma pequena taxa mensal para cadastrarem-se e recebem um cartão magnético com um chip eletrônico. Quando precisam de um carro, escolhem o modelo entre os disponíveis e fazem o agendamento por telefone ou pela Internet. Aí, é só dar uma saudável caminhada até o estacionamento do serviço que estiver mais próximo e usar o veículo como se fosse seu pelo período escolhido.

O car share não serve para quem precisa de carro para ir ao trabalho ou o utiliza para viagens. Mas é uma grande solução para quem não precisa de um automóvel todos os dias. Não é preciso ter uma garagem, por exemplo, nem pagar seguro para os 365 dias do ano, nem se preocupar com a manutenção, lavagem, abastecimento ou pagar IPVA. Tudo isto é incluído no preço, tarifado por hora.

O sistema talvez não se adapte de forma geral às nossas grandes cidades, mas pode funcionar bem para determinadas situações. Parece ideal para grandes condomínios ou regiões de grande densidade demográfica. É sob medida para aposentados ou casais em que a esposa não trabalha fora. Em São Paulo, pode ser uma alternativa bem vinda para o dia de rodízio semanal. E cai como uma luva para profissionais que exercem suas atividades em casa.

Nos Estados Unidos, o sistema tem tido muito sucesso também nas universidades, atraindo estudantes que não querem comprar carros velhos nem têm dinheiro para um modelo novo. Há empresas explorando o serviço e ganhando dinheiro e também há sistemas que não visam lucros e funcionam mais ou menos como cooperativas.

Não sei de nenhuma iniciativa desse tipo em andamento no Brasil. Para fazer uma experiência em escala limitada não é preciso um capital gigantesco. Quem sabe não é um bom negócio para começar nesses tempos de crise?

http://autoestrada.uol.com.br/interno.cfm?file=analise&id=35

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